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Mato Grosso do Sul, 19 de junho de 2024
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Geraldo Resende denuncia morte de criança indígena por fome em Dourados

Deputado alerta os Ministérios dos Povos Indígenas, da Saúde e Relações Institucionais e solicita providências urgentes por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI)

Márcia Aquino segura a certidão de nascimento do seu bebê que faleceu com apenas um ano e três meses. Foto: Ricardo Minella

O deputado federal Geraldo Resende denunciou nesta sexta-feira (5) a morte de uma criança indígena de apenas um ano e três meses por desnutrição grave em Dourados, em um acampamento improvisado no Bairro Santa Felicidade, uma comunidade na periferia da cidade. Segundo informações repassadas ao deputado, a criança morreu de fome há dois dias e foi enterrada em uma aldeia próxima.

Representantes da Igreja Católica no município entraram em contato com o parlamentar, que ficou estarrecido com o teor das informações e imagens da criança desnutrida antes de morrer, além de outras que também podem vir a ter o mesmo destino trágico.

A mãe do bebê que faleceu na terça-feira (2) por volta das 15h, a indígena desaldeada Márcia Aquino Duarte, disse que seu filho Yude Mendes Aquino morreu, um pouco antes da chegada da ambulância do SAMU, em seu barraco de lona. Fazia três dias que a criança estava vomitando com frequência, porém ela tinha esperança de que o menino iria melhorar. Quando percebeu que o mesmo estava perdendo as forças, Márcia chamou o SAMU, porém já era tarde demais.

Fome

A indígena disse que há cerca de dois anos mudou-se de Amambai para Dourados, mas somente conseguiu arrumar um barraco de lona, onde estava morando com seus quatro filhos: o que faleceu, duas meninas com sete e nove anos e um menino de oito anos. No barraco de lona com chão batido, ela convive com uma irmã que também têm dois filhos.

Barraco de lona com chão batido, onde duas famílias dividem o auxílio financeiro do governo federal. Foto: Ricardo Minella

Márcia Aquino relatou que recebe apenas um auxílio do governo federal, segundo ela no valor de aproximadamente R$ 400, o suficiente para comprar apenas alguns alimentos, que não perduram até o final do mês.

Para compensar, em alguns dias a família toma água com açúcar para aplacar a fome. O bebê Yude Aquino também era submetido a essa mesma dieta, intercalando o leite e a água adoçada. As crianças sobreviventes frequentam a Escola Municipal Clori Benedetti que fica próxima e são beneficiadas com a merenda escolar.

Márcia observa o que restou da compra que conseguiu fazer no início deste mês.

Segundo Márcia Aquino, neste mês, com o auxílio do governo federal não foi possível nem mesmo comprar a mesma quantidade de alimentos adquirida em meses passados, porque uma boa parte foi gasta com o funeral da criança que morreu.

Ações emergenciais

De acordo com o deputado, que havia alertado sobre a situação precária destes indígenas semelhante à dos Yanomamis em Roraima, já foram acionados o Ministério Público Federal e a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos para averiguar e realizar ações emergenciais para resolver de imediato a situação precária que se encontram estes indígenas.

“Estou estarrecido e indignado com essa tragédia, uma criança indígena morrer de fome e outras passando por desnutrição grave, em uma cidade como Dourados conhecida por ser um dos celeiros do Estado. É inadmissível essa situação na qual se encontram os indígenas, inclusive alertei os Ministérios dos Povos Indígenas, da Saúde e Relações Institucionais, sobre essa gravíssima situação semelhante à vivida pelos Yanomamis em Roraima e que poderia vir a ter as mesmas consequências. Não podemos admitir isso, e exijo por parte dos órgãos responsáveis, em especial, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), para acolher e resolver de fato essa questão”, ressaltou Geraldo Resende.

De acordo com o procurador do Ministério Público Federal em Dourados, Marco Antonio Delfino, o local onde estão os indígenas é uma ocupação urbana irregular em uma área da Prefeitura e que já levou a situação à Secretaria de Assistência Social do município. “São 15 famílias de indígenas, das 185 nessa ocupação, em sua maioria de venezuelanos, que estão nesse local desde 2012. Por se tratar de uma ocupação irregular não há acompanhamento por agentes de saúde e por se tratar de uma área pública do município, levei a questão à Secretaria de Assistência Social do município no dia 3 abril e desde então estamos aguardando um posicionamento e resolução por parte da Prefeitura de Dourados”, disse o procurador.

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