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Mato Grosso do Sul, 13 de abril de 2024
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Trump é detido e fichado por tentar reverter resultado de eleição

Ex-presidente dos EUA, Donald Trump enfrenta quatro acusações por tentar fraudar eleições de 2020. Especialista admite gravidade do caso e vê ataque à democracia

Trump desembarca de seu avião “Trump Force One”, no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Arlington (Virgínia) – (crédito: Olivier Douliery/AFP)

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump acaba de ser detido temporariamente para ser indiciado e fichado por quatro acusações federais relacionadas à tentativa de reverter o resultado das eleições de 2020: conspiração para fraudar os Estados Unidos; conspiração para obstruir um processo oficial; obstrução e tentativa de obstrução de um procedimento oficial; e conspiração contra direitos. Os crimes, investigados pelo procurador especial Jack Smith, são considerados os mais graves entre todos os casos pelos quais o magnata republicano responde na Justiça — a posse ilegal de documentos sigilosos e sensíveis à segurança nacional; uma fraude envolvendo chantagem contra a ex-atriz pornô Stormy Daniels, com quem teria mantido um relacionamento extraconjugal; e abuso sexual cometido contra uma jornalista. É a terceira vez que Trump comparece ao tribunal, para ser indiciado, em quatro meses. 

Trump desembarcou no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, às 15h (16h em Brasília) e seguiu, em comboio, até o Tribunal E. Barrett Prettyman. O trajeto durou cerca de 15 minutos. Simpatizantes e opositores ao ex-presidente se concentraram nos arredores do prédio da Corte e ostentaram bandeiras com a imagem do republicano e cartazes que pediam sua prisão. Dentro do tribunal, Trump sentou-se entre os seus dois advogados. O ex-presidente permaneceu com um papel à sua frente e, algumas vezes, Todd Blanche — um dos dois defensores — sussurrou em seu ouvido, segundo o jornal The Washington Post. O procurador especial Jack Smith também estava na sala de audiência da Corte. 

Simpatizante de Donald Trump protesta do lado de fora do Tribunal E. Barrett Prettyman, em Washington(foto: Brendan Smialowski/AFP

“Esse é o indiciamento mais importante da história dos Estados Unidos. É mais importante do que os indiciamentos dos conspiradores do caso Watergate ou dos espiões da bomba atômica”, assegurou à reportagem Allan Lichtman, historiador político da American University (em Washington). “Um presidente dos Estados Unidos está sendo acusado de minar as bases da democracia americana. A democracia é preciosa e, como todas as coisas preciosas, pode ser destruída. Se Trump não for condenado por suas ações, a democracia norte-americana ficará em grave perigo”, advertiu. “Se a democracia americana falhar, as democracias no mundo estarão em risco, porque a liderança dos Estados Unidso é tão importante.”

Lichman aposta que o indiciamento não mudará os cálculos eleitorais para 2024. “Muito dependerá do resultado do julgamento. Suponhamos que Trump seja condenado de sabotar a democracia americana e sentenciado à prisão. Nesse caso, será difícil acreditar que ele possa ser um candidato viável na eleição, independentemente do resultado das primárias republicanas”, comentou. 

Com os Estados Unidos totalmente polarizados e com 60% do Partido Republicano acreditando que Trump vencerá as eleições de 2024, James Naylor Green — professor de história política da Universidade Brown e discípulo do falecido brasilianista Thomas Skidmore — lembrou ao Correio que os simpatizantes do ex-presidente sustentam que ele é vítima de perseguição e de uma manipulação dos instrumentos do governo pelo Partido Democrata. “Trump usa vários argumentos, que são falsos, mas estão sendo repetidos. O primeiro é o de que ele tinha todo o direito de falar que as eleições foram fraudulentas e que qualquer argumento contrário representa uma violação da Primeira Emenda à Constituição”, disse. 

Nadine Seiler, de Waldorf, Maryland, protesta contra Trump, com o Capitólio ao fundo: “Trump indiciado, de novo e de novo”(foto: Drew Angeres/Getty Images/AFP)

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