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Mato Grosso do Sul, 20 de abril de 2024
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Brasil e China fazem acordo que permite exportação sem uso do dólar

O acordo vai permitir transações comerciais com compensação direta de real para yuans, a moeda chinesa; a China, que é o principal parceiro comercial do Brasil, busca minar a hegemonia do dólar norte-americano

Lula e Xi Jinping. Fotos: Evaristo Sá/AFP e CLaudio Reyes/AFP

Apesar do adiamento da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à China, por razões médicas, acordos comerciais que visam estreitar as relações bilaterais entre os dois países seguem sendo negociados em Pequim. Nesta quarta-feira 29, Brasil e China anunciaram a criação de um mecanismo que vai permitir a exportadores brasileiros abrir mão do dólar nas transações comerciais com a China, podendo optar pela compensação direta de real para yuans, a moeda chinesa.

Segundo o Ministério da Fazenda, o acordo já tinha sido estabelecido em janeiro, mas o anúncio foi feito só agora. Vale destacar que a transação direta entre as moedas brasileira e chinesa será opcional e que, no momento, ainda não existem estimativas divulgadas sobre possíveis benefícios do acordo às exportações brasileiras.

Durante o Fórum de Negócios Brasil-China, o Ministério da Fazenda comunicou que o acordo foi realizado entre os bancos centrais dos dois países. “Esse é um esforço para reduzir os custos de transação”, afirmou Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. A vice-ministra de Comércio da China, Guo Tingting, também confirmou o acordo. “Vamos trabalhar ainda mais no setor de alimentos e minérios, vamos buscar possibilidade de exportação de mercadorias de alto valor agregado da China ao Brasil e do Brasil para a China.”

Pelo acordo, o Brasil poderá exportar à China em real, ao passo que os chineses poderão importar em moeda local. Na transação, a compensação direta de yuans para real será feita pelo Banco Industrial e Comercial da China (ou ICBC, na sigla em inglês). O banco atuará como “Clearing House” (Câmara de Compensação), colocando-se como intermediário. O Banco Central chinês foi o responsável por determinar que o ICBC, que é controlado pelo governo chinês e possui subsidiária no Brasil,  atue como mediário. “Essa ‘Clearing House’ é um passo inicial”, afirmou Tatiana Rosito, que também destacou que questões relativas à presença de recursos imediatos da instituição ainda precisam ser resolvidas.

Do ponto de vista das importações e exportações entre Brasil e China, o acordo, ao dispensar o dólar, poderá diminuir os custos das transações. Nos últimos anos, a China vem buscando promover esse tipo de acordo, que é feito, atualmente, em outros países latino-americanos, como Argentina e Chile.

É a geopolítica, estúpido
Outro aspecto do acordo, tão importante quanto o comercial, é o geopolítico. Ao reduzir a sua dependência do dólar norte-americano, a China busca avançar no seu embate hegemônico com os Estados Unidos. Na semana passada, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que era favorável ao uso da moeda chinesa em transações com países da América Latina, da Ásia e da África.

O Brasil – e a América do Sul, como um todo –, vem experimentando, nos últimos anos, um crescimento da influência da China, tanto no campo diplomático como na esfera comercial. Em reação a isso, a União Europeia busca construir um acordo comercial com o Mercosul, que envolva, por tratativas sobre a questão ambiental.

https://www.cartacapital.com.br/economia/acordo-entre-ue-e-mercosul-nao-sera-possivel-se-a-america-latina-violar-normas-ambientais-diz-macron/

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. No ano passado, os investimentos diretos da China no Brasil acumularam 70 bilhões de dólares. Além disso, também em 2022, 26,8% das exportações brasileiras foram direcionadas à China, embora esse percentual, que alcançou 32,4% em 2020, venha caindo nos últimos anos. Em matéria de importações, a China participou, em 2022, de 22,3% de todas as importações brasileiras, e esse percentual vem crescendo, pelo menos, desde 2006.

Por outro lado, o Brasil foi o décimo país que mais exportou para a China em 2022 – após ter estado na oitava colocação, entre 2017 e 2021. O Brasil participa de cerca de 4% de todas as importações chinesas, enquanto 1,7% das exportações da China vão para o Brasil. É preciso pesar que o fato da China ser mais importante para a balança comercial brasileira do que o Brasil para o comércio exterior chinês leva em consideração que a comparação do Brasil é feita com a segunda maior economia do mundo.

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