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Mato Grosso do Sul, 13 de abril de 2024
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General diz à CPI que ligou para Lula e recebeu orientação na noite de 8/1

General Dutra conversou com Lula na noite de 8 de janeiro, na determinação da prisão de bolsonaristas no acampamento. Ele conta que convenceu o presidente para que a operação ocorresse na manhã de 9 de janeiro

(crédito: Hugo Batista/CLDF)

O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-chefe do Comando Militar do Planalto (CMP), revelou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos que, na noite de 8 de janeiro, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a remoção de bolsonaristas do acampamento do Quartel-General do Exército.

Dutra explicou que a conversa ocorreu após o ex-interventor da segurança pública, Ricardo Cappelli, pedir a entrada imediata da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) para prender os bolsonaristas. O general afirmou que a operação poderia resultar em mortes porque não foi planejada. Assim, Cappelli ligou para o ministro Flávio Dino para explicar e Dutra ligou para o ex-chefe do GSI, Gonçalves Dias, que atendeu a ligação e repassou para Lula, que bastante irritado o orientou sobre a prisão de bolsonaristas, na noite após os atos golpistas.

“O presidente (Lula) está muito irritado e disse que vai entrar (no acampamento do QG), me explicou o general Dias. Eu disse ao general que ‘vai dar problema’. Após, ele passou o telefone para o presidente. Para mim, foi uma surpresa (falar com o presidente). Falei exatamente assim: ‘presidente, boa noite. Aqui é o general Dutra, comandante do CMP’. Ele falou: ‘general, são criminosos, têm que ser todos presos’. Eu disse que todos estamos indignados, e serão presos. Ele repetiu”, disse Dutra.

“Eu disse que só estamos lamentando danos ao patrimônio, e se entrarmos agora, sem planejamento, podemos terminar essa noite com sangue. Eu tenho uma admiração pelo presidente Lula pela inteligência emocional dele. Na mesma hora, ele disse que seria uma tragédia (terminar a noite em sangue). E falou: ‘general, isola a Praça dos Cristais e prende todo mundo amanhã’. Eu agradeci e desejei boa noite”, disse o general.

Antes, Dutra explicou que não teve nenhum conflito com Cappelli para a não desmobilização do acampamento na noite de 8 de janeiro e que não poderia ocorrer a prisão de bolsonaristas, que era necessário preservar o patrimônio público, principalmente das “pedras portuguesas” da Praça dos Cristais.

“Eu virei para o dr. Ricardo e disse que a operação era complexa, precisando planejar, se não tem o risco de morrer gente. Ele virou para mim e disse: ‘general, você está me dizendo que eles estão armados?’. Eu respondi que não. Estou dizendo que a Praça dos Cristais não tem iluminação adequada para uma operação noturna; a Praça tem várias pedras portuguesas; a Praça tem degraus; a Praça tem um lago no meio, além disso tem, no acampamento, ainda há espeto de churrasco. As pessoas estão cansadas. Se entrarmos sem planejar, vai ter gente que pode morrer até afogado”, disse Dutra.

O general chegou à CPI por volta de 9h30 e a oitiva teve início às 10h. Na CPI, um acordo entre os distritais e o Exército assegura a presença de generais na Casa, mesmo que não sejam obrigados a comparecer — a convocação foi transformada em convite.

Outros generais

Em 1º de junho, a CPI ouve o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). Heleno era considerado por muitos do núcleo do governo anterior como braço-direito do então presidente Jair Bolsonaro (PL). O general e a CPI já chegaram a costurar um depoimento na CLDF, mas ele desistiu após ser orientado pelos advogados a não colocar “mais gasolina”.

O general Marco Edson Gonçalves Dias, ou G.Dias, deve ser ouvido pelos distritais em 17 de junho. O general ocupava o cargo de ministro-chefe do GSI durante os ataques do dia 8 de janeiro e pediu demissão após imagens reveladas pela CNN Brasil mostrarem que estava circulando dentro do Palácio do Planalto durante os atos. A atuação do ex-ministro foi o estopim para os distritais aprovarem a convocação do militar.

Apesar de todos estarem convocados, um acordo entre o Exército e os deputados distritais transformou o comparecimento do trio em convites — quando não são obrigados a comparecer. Uma equipe do Exército esteve na CPI na última semana, antes do depoimento do empresário suspeito de financiar os atos, Adauto Lúcio Mesquita, inspecionando a Casa e conversando com os parlamentares em cada gabinete. Os militares do Exército pediram que a comissão transformasse as convocações em convite e, com isso, confirmariam a presença dos generais.

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